sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Dilma e Serra debatem proposta para a educação


Eis a matéria com os candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff e José Serra, publicada nos sites da Federação Nacional das Escolas Particulares (Link - http://www.fenep.com.br/noticia.asp?ed=000010&n=01) e do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro (Link - http://www.sineperio.educacao.ws/leiamais.aspx?e=000010&g=01&n=01).


Por Marcelo Bebiano

Nesta entrevista, os candidatos à presidência da República Dilma Rousseff e José Serra falam de seus planos para a educação brasileira. Eles destacam a importância do investimento no professor, com a melhora da estrutura atual e o oferecimento de salários mais atraentes. Os candidatos também enfatizam a importância da escola particular na luta pela melhoria da educação nacional. Para eles, este setor desempenha um importante papel na sociedade. Os candidatos vislumbram o estabelecimento de parcerias com o governo federal. Eles afirmaram que o Programa Universidade para Todos (Prouni) deverá continuar a ser utilizado, com algumas alterações. Os dois também desejam investir no ensino técnico com o objetivo de formar mão-de-obra para atender a crescente demanda por profissionais. Confira as opiniões dos candidatos e suas trajetórias de vida.

A educação será uma prioridade em seu governo?

Dilma Rousseff - A educação, a saúde e a segurança pública serão prioridades. Mas nem agora, nem no futuro, se pode imaginar que o Brasil cresça, funcione, tenha um povo feliz, se a prioridade das prioridades não for a educação. Nenhum presidente da República deste País teve tanta clareza sobre isso como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nós fizemos muito. Colocamos a educação de novo nos eixos e democratizamos o acesso dos mais necessitados ao ensino de qualidade. Mas vamos fazer muito mais, começando com os investimentos em creches. Serão construídas 1.500 creches por ano, para chegarmos em 2014 com todas as crianças atendidas por creches de qualidade, bem alimentadas, bem tratadas, felizes. Vamos criar mais vagas no Programa Universidade para Todos (Prouni). Valorizar ainda mais os professores. Criar mais escolas técnicas e torná-las cada vez mais modernas e eficientes.

José Serra - Sim. E não poderia ser diferente. É pela educação que ocorre a mobilidade social. As chances são multiplicadas. Precisamos avançar muito nesta área, no Brasil, e corrigir equívocos. Em São Paulo, por exemplo, foram desenvolvidas muitas ações de grande impacto. Em quatro anos, a folha de pagamento da educação passou de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,4 bilhões. É notório que este setor exige investimento maciço para funcionar. Não adianta criar programas e não investir pesado na formação dos professores. A estrutura também não pode ser esquecida. Foram construídas 110 novas escolas, em São Paulo, e abertas 146 mil vagas. Também realizamos concursos públicos voltados para a promoção de professores, o que permite um aumento de 25% nos salários. Com isso, beneficiamos os profissionais através do mérito, da competência. Essa ação possibilita aos professores multiplicar, ao longo da carreira, seu salário inicial em quase quatro vezes. São iniciativas objetivas, como essas, que permitem tornar atraente a carreira de professor e gerar valorização para o magistério. Trabalho sério e inteligente. A gestão exige investimento, descentralização e cobrança de resultados.

Como valorizar o professor neste panorama, em algumas regiões, com baixos salários e perspectivas nada animadoras?

Dilma - A valorização do professor é a base de tudo. Quando o presidente Lula assumiu o governo, o professor não tinha um piso salarial. Nós criamos um piso nacional para o magistério, por lei. Hoje esse piso é de R$ 1.040,00. Ainda não estamos no ideal, mas vamos avançar. Porque não se faz ensino de qualidade sem professor bem pago, valorizado e respeitado. O professor também precisa estar sempre estudando, e assim as universidades federais são muito importantes para que a gente assegure a aprendizagem continuada pelos professores.

Serra - A qualidade do ensino passa, obrigatoriamente, pela remuneração adequada do professor. No entanto, isso não é tudo. Esse profissional necessita de motivação e facilidade de acesso a livros, revistas, jornais, cinema, teatro e cursos, além de tudo mais o que o mundo da cultura possa lhe oferecer. É fundamental um plano de carreira que permita vislumbrar um crescimento profissional e, principalmente, formação continuada. Devemos fazer um enorme esforço para aumentar o salário dos professores e oferecer acesso aos bens culturais disponíveis. São necessárias ações conjuntas. É fundamental pensar grande e corretamente a educação nacional.

Os senhores pretendem prosseguir com o Programa Universidade para Todos?

Dilma - Sim. É um dos grandes programas do governo do presidente Lula e um exemplo bem sucedido de parceria com o setor privado. Reconhecido pela sociedade. O Prouni distribuiu 600 mil bolsas de estudo para jovens pobres em faculdades particulares. Eram vagas que não estavam ocupadas. Com o Prouni, as faculdades ocuparam suas vagas vazias com alunos que, de outra maneira, sem as bolsas, nunca conseguiriam frequentar uma universidade. E puderam estudar em boas faculdades. Mas a melhor notícia de todas é que estes 600 mil jovens brasileiros que ganharam bolsa do Prouni ficaram entre os melhores alunos das universidades. Uma pesquisa mostrou que eles estão acima da média. Eu fico muito orgulhosa de dizer isso. Gente pobre, trabalhadores, gente que se sacrifica para criar os filhos, vendo que eles finalmente podem entrar numa universidade. E vendo, principalmente, que os filhos souberam retribuir tanto esforço, estudando bastante e ficando entre os melhores alunos.

Serra - Vamos ampliar o Programa Universidade para Todos. Criaremos o Prouni do ensino técnico, com a concessão de bolsas de estudo em escolas técnicas particulares a alunos de regiões que não possuem a opção do ensino técnico público. Daremos bolsas para que um aluno, em determinada região, possa ir para a escola particular do ensino técnico com bolsa do governo. Vamos levar isso para a base da sociedade. Ninguém destrói coisas feitas que possam ser melhoradas. O governo deve pensar no interesse da população acima de questões políticas. As correções a serem feitas serão realizadas com muito esmero e atenção.

Como a escola particular pode auxiliar em ações para a melhoria da educação nacional?

Dilma - Tenho a certeza de que toda a sociedade dará a sua contribuição para melhorar a educação nacional. É um setor fundamental do País. E acredito que a escola particular estará incluída nessa luta. Ela cumpre um papel importante na sociedade. Terá que ser um esforço de todos. Desejamos nos associar aos que anseiam por uma educação melhor para o Brasil.

Serra – A escola particular presta um serviço muito importante ao País. Ela possui um nível de ensino reconhecido pela sociedade. Acredito que poderemos firmar muitas parcerias para melhorar a educação brasileira. Conto com a escola particular para desenvolver vários projetos.

O ensino profissionalizante será incentivado?

Dilma: Sim. Nós voltamos a construir escolas técnicas no Brasil. Em menos de oito anos, já construímos 136 novas escolas e vamos chegar ao final deste ano com 214. Para se ter uma ideia, da primeira escola técnica criada no Brasil, no início do século passado (1909), pelo então presidente Nilo Peçanha, até 2003, criaram-se apenas 140 unidades. A formação técnica profissional é uma política pública que vem dando as respostas que imaginávamos. O Brasil está crescendo muito e vai crescer ainda mais, exigindo mais profissionais especializados. O caminho é criar mais escolas técnicas e oferecer mais vagas. O nosso projeto, até 2014, é construir uma escola em cada município com mais de 40 mil habitantes. Assim haverá escolas de ponta a ponta do Brasil. O projeto também prevê 500 mil alunos matriculados, nos próximos quatro anos, na rede de escolas técnicas federais. O que significa dobrar o número de vagas. É perfeitamente possível fazer isso porque o governo do Presidente Lula construiu o alicerce. Um alicerce que vai propiciar a matrícula de um milhão de alunos ainda nessa década, que se inicia em 2011.

Serra - A ampliação de vagas no ensino técnico será uma prioridade. Vamos conceder bolsas de ensino técnico à jovens de famílias beneficiárias do programa Bolsa Família. E estabeleceremos uma cooperação com estados e municípios. Hoje, no Brasil, existe oferta de trabalho e esses postos não são preenchidos, pois as pessoas não possuem a qualificação necessária. É vital investir no ensino profissionalizante para que os estudantes, desempregados ou profissionais que precisem de requalificação profissional rápida possam ser atendidos. Em São Paulo foi adotado um programa de requalificação que beneficiou 60 mil desempregados. Os cursos são rápidos, de quatro ou cinco meses. Se a pessoa não tiver seguro-desemprego ganha uma bolsa para fazer o curso. É preciso ampliar esse projeto para todo o Brasil. Meu objetivo é criar um milhão de vagas somente no ensino profissionalizante.

Perfil dos candidatos

Dilma Rousseff

A candidata Dilma Vana Rousseff, 62 anos, natural de Uberaba,Minas Gerais, filha do engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév, naturalizado brasileiro como Pedro Rousseff, e da professora brasileira Dilma Jane Silva, cursou a pré-escola no Colégio Isabela Hendrix e, em seguida, estudou no tradicional Colégio Sion. Aos 16 anos, transferiu-se para a Escola Estadual Governador Milton Campos.

Cursou a Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Nesse período, Dilma Rousseff começou a atuar no Comando de Libertação Nacional, organização que defendia a luta armada contra o regime militar. Em setembro de 1969, Dilma pertencia aos quadros do grupo Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, conhecido como VAR-Palmares.

Presa em 16 de janeiro de 1970, em São Paulo, ficou detida na Operação Bandeirantes. Nessa ocasião, ela foi torturada. Depois, Dilma foi encaminhada ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Condenada em três estados, em 1973 é libertada, depois de ter conseguido redução de pena no Superior Tribunal Militar. Muda-se, então, para Porto Alegre. Lá, ela cursa a Faculdade de Ciências Econômicas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 1979, filia-se ao Partido Democrático Brasileiro (PDT), fundado pelo ex-prefeito de Porto Alegre e ex-governador do Rio de Janeiro, por dois mandatos, Leonel Brizola.

Dilma Rousseff ocupou os cargos de secretária da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre, entre1986 e1989; presidente da Fundação de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul, entre 1991e 1993; e secretária de estado de Energia, Minas e Comunicações em dois governos: Alceu Collares, do PDT, e Olívio Dutra, do Partido dos Trabalhadores (PT).
Filiou-se ao Partido PT em 2001, e coordenou a equipe de Infra-Estrutura do Governo de Transição entre o último mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o primeiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-se integrante do grupo responsável pelo programa de Energia do governo petista.

Dilma Rousseff foi ministra do Ministério das Minas e Energia entre 2003 e junho de 2005, passando a ocupar o cargo de ministra-Chefe da Casa Civil, de onde saiu para disputar a Presidência da República.

José Serra

O candidato José Serra, 68 anos, nasceu na Mooca, tradicional bairro de São Paulo. Em 1962, ingressou na política, como presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), cargo que ocupou até 1963. Depois, nos dois anos seguintes, foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Perseguido pelo regime militar, em 1964, seguiu para o exílio. No exterior, Serra enfrentou dificuldades e não conseguiu concluir seus estudos de engenharia. Decidiu cursar Economia. Fez seu mestrado nessa disciplina pela Universidade do Chile, da qual se tornou professor. Também foi funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU).
Após o golpe do general Augusto Pinochet, José Serra foi obrigado a exilar-se novamente e foi para os Estados Unidos, onde fez outro mestrado e o doutorado em Ciências Econômicas pela Universidade de Cornell. Ele trabalhou, por dois anos, como professor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton.

No final dos anos 70, amparado pela Lei da Anistia, José Serra retornou ao Brasil. Atuou como professor da Unicamp e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), entre outras atividades. Foi um dos fundadores do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Atuou como secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo.

Em 1986 foi eleito deputado federal por São Paulo, sendo um dos responsáveis pela confecção da Constituição de 1988. Reelegeu-se em 1990. Quatro anos mais tarde, foi eleito senador por São Paulo. Ocupou o Ministério do Planejamento e Orçamento do governo federal, na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso até o meio de 1996. A partir de 1998 assumiu o Ministério da Saúde.

Serra liderou uma maciça campanha de combate à Aids, fato que levou a um reconhecimento internacional. Essa experiência foi adotada em vários países. Ele regulamentou a lei de patentes. Em sua gestão à frente da pasta da Saúde, Serra conseguiu aprovar uma resolução da Organização Mundial do Comércio que permite aos países quebrarem patentes em caso de interesse da saúde pública.

José Serra foi eleito prefeito de São Paulo e iniciou seu mandato em 2004. Dois anos depois ele deixou o cargo para concorrer ao governo do Estado de São Paulo. Elegeu-se ainda no primeiro turno. Deixou o cargo para se dedicar a campanha pela Presidência do Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário