quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Debate na TV Globo

A TV Globo promove, hoje, às 22h30, o último debate entre os candidatos à Presidência da República. Participarão os quatro principais concorrentes, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). O encontro será na sede da emissora, no Rio de Janeiro.
O jornalista William Bonner será o mediador. O debate terá cinco blocos. O primeiro e o terceiro blocos serão com temas determinados. O segundo e o quarto, com temas livres. O último bloco contará com as considerações finais.
Cada candidato terá 30 segundos para perguntas, dois minutos para respostas, um minuto para réplica e um minuto para tréplica.
Os quatro participantes darão entrevista coletiva na sala da imprensa da emissora. Pelo sorteio realizado, Dilma será a primeira a falar com os jornalistas. Em seguida, Plínio. Depois, será a vez de José Serra. A última, Marina Silva. A eleição acontece neste domingo, dia 3.

sábado, 25 de setembro de 2010

Roriz desiste e indefinição no STF continua

O ex-senador Joaquim Roriz desistiu da candidatura ao governo do Distrito Federal. A mulher do político, Weslian Roriz, será sua substituta. A mudança foi anunciada ontem. A desistência aconteceu um dia depois de o Supremo Tribunal Federal suspender o julgamento do recurso apresentado pela defesa de Roriz contra a decisão da Justiça Eleitoral que barrou sua candidatura com base na Lei da Ficha Limpa. O placar no STF está empatado. São 5 votos favoráveis a aplicação imediata da lei e 5 votos contrários.

Neste momento, o recurso extraordinário de Roriz tem destino incerto. O Supremo poderá dar sequência ao julgamento ou declarar a perda do objeto, por Roriz ter desistido da candidatura.

E existem vários caminhos possíveis no caso do STF prosseguir com o julgamento. O presidente do STF, Cezar Peluso, pode dar "o voto de qualidade" e desempatar o placar ou proclamar o empate como resultado do julgamento. Essa atitude faria valer, em última instância, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral contra Roriz e a interpretação da eficácia da lei já nestas eleições. Também existe a possibilidade de aguardar a nomeação pelo presidente Lula do próximo ministro, que ocupará a cadeira vaga com a aposentadoria de Eros Grau, para promover o desempate.

Uma decisão deverá ser tomada até quarta-feira, dia 29. O STF realizará uma sessão extraordinária nesta segunda, 27. É possível que o ministro Cezar Peluso inclua o assunto na pauta. O tema é bastante complexo, existe um enorme interesse da opinião pública e o primeiro turno das eleições acontece no dia 3 de outubro.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Votação da Lei da Ficha Limpa pode empatar

O Supremo Tribunal Federal julga hoje, a partir das 14 horas, um recurso em que o ex-senador Joaquim Roriz questiona a impugnação de sua candidatura ao governo do Distrito Federal. A posição do STF deverá servir de base para outros julgamentos de candidatos enquadrados na Lei da Ficha Limpa. E o resultado mais provável é o empate, em 5 a 5.

Segundo conversas nos bastidores do tribunal seriam cinco votos em favor da constitucionalidade da lei: ministros Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Ellen Gracie, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. E cinco votos são apontados como contrários à lei: ministros Celso de Mello, Cezar Peluso, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello.

O STF é formado por 11 ministros. No entanto, uma cadeira está vazia desde a aposentadoria do ministro Eros Grau. Por essa razão há possibilidade de um empate. Caso isso aconteça os ministros terão de decidir se o voto do presidente, Cezar Peluso, vale como desempate para matérias em que a inconstitucionalidade de uma lei pode ser decretada.

Na hipótese disso não ser possível, o Supremo Tribunal Federal terá que aguardar a indicação de um novo ministro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou convocar no Superior Tribunal de Justiça um magistrado para desempatar.

Neste panorama existe o risco do julgamento ocorrer após as eleições, o que poderia trazer confusão para o processo eleitoral. Sem definição sobre a Lei da Ficha Limpa, políticos com o registro de candidatura negado poderão disputar as eleições. Este fato geraria um cenário de incertezas jurídicas.

Porém, a sociedade está atenta a decisão do STF. De acordo com uma recente pesquisa da Associação dos Magistrados Brasileiros/Ibope, 85% dos brasileiros são a favor da Lei da Ficha Limpa. O estudo traça o perfil do eleitorado brasileiro. Foram entrevistadas 2.002 pessoas, entre 18 e 21 de agosto, em 140 cidades.

As manifestações em favor da Ficha Limpa, principalmente na internet, são crescentes e pretendem pressionar os ministros na decisão de hoje.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Erenice Guerra deixa a Casa Civil

Ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, deixou o cargo agora. O porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, anunciou o fato. O substituto interino é o atual secretário-executivo da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves.
A gerente do PAC, Míriam Belchior, está cotada para assumir o cargo definitivamente. Da mesma forma, pode ser mantido o interino, Carlos Esteves.
A decisão foi tomada após uma reunião, hoje, com o presidente Lula. Na carta, Erenice Guerra afirma que deixa o posto para poder se defender.

sábado, 4 de setembro de 2010

Entrevista com os principais presidenciáveis

Os três principais candidatos ao cargo de presidente da República, Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva, falaram sobre seus planos para a educação, em entrevista que fiz e foi publicada na revista da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep). Eles destacaram a importância do investimento no professor, com a melhora da estrutura atual e o oferecimento de salários mais atraentes. Os candidatos também enfatizaram a importância da escola particular na luta pela melhoria da educação nacional. Para eles, este setor desempenha um importante papel na sociedade. Os candidatos vislumbram o estabelecimento de parcerias com o governo federal. Eles afirmaram que o Programa Universidade para Todos (Prouni) deverá continuar a ser utilizado, com algumas alterações. Os três também desejam investir no ensino técnico com o objetivo de formar mão-de-obra para atender a crescente demanda por profissionais. Confira as opiniões dos principais candidatos e suas trajetórias de vida:

Marcelo Bebiano

A candidata Dilma Vana Rousseff, 62 anos, natural de Uberaba,Minas Gerais, filha do engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév, naturalizado brasileiro como Pedro Rousseff, e da professora brasileira Dilma Jane Silva, cursou a pré-escola no Colégio Isabela Hendrix e, em seguida, estudou no tradicional Colégio Sion.

Aos 16 anos, transferiu-se para a Escola Estadual Governador Milton Campos. Cursou a Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Nesse período, Dilma Rousseff começou a atuar no Comando de Libertação Nacional, organização que defendia a luta armada contra o regime militar. Em setembro de 1969, Dilma pertencia aos quadros do grupo Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, conhecido como VAR-Palmares. Presa em 16 de janeiro de 1970, em São Paulo, ficou detida na Operação Bandeirantes. Nessa ocasião, ela foi torturada. Depois, Dilma foi encaminhada ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Condenada em três estados, em 1973 é libertada, depois de ter conseguido redução de pena no Superior Tribunal Militar. Muda-se, então, para Porto Alegre. Lá, ela cursa a Faculdade de Ciências Econômicas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 1979, filia-se ao Partido Democrático Brasileiro (PDT), fundado pelo ex-prefeito de Porto Alegre e ex-governador do Rio de Janeiro, por dois mandatos, Leonel Brizola.

Dilma Rousseff ocupou os cargos de secretária da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre, entre1986 e1989; presidente da Fundação de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul, entre 1991e 1993; e secretária de estado de Energia, Minas e Comunicações em dois governos: Alceu Collares, do PDT, e Olívio Dutra, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Filiou-se ao Partido PT em 2001, e coordenou a equipe de Infra-Estrutura do Governo de Transição entre o último mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o primeiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-se integrante do grupo responsável pelo programa de Energia do governo petista.

Dilma Rousseff foi ministra do Ministério das Minas e Energia entre 2003 e junho de 2005, passando a ocupar o cargo de ministra-Chefe da Casa Civil, de onde saiu para disputar a Presidência da República.

Entrevista com a candidata Dilma Rousseff

A educação será uma prioridade em seu governo?

Dilma Rousseff - A educação, a saúde e a segurança pública serão prioridades. Mas nem agora, nem no futuro, se pode imaginar que o Brasil cresça, funcione, tenha um povo feliz, se a prioridade das prioridades não for a educação. Nenhum presidente da República deste País teve tanta clareza sobre isso como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nós fizemos muito. Colocamos a educação de novo nos eixos e democratizamos o acesso dos mais necessitados ao ensino de qualidade. Mas vamos fazer muito mais, começando com os investimentos em creches. Serão construídas 1.500 creches por ano, para chegarmos em 2014 com todas as crianças atendidas por creches de qualidade, bem alimentadas, bem tratadas, felizes. Vamos criar mais vagas no Programa Universidade para Todos (Prouni). Valorizar ainda mais os professores. Criar mais escolas técnicas e torná-las cada vez mais modernas e eficientes.

Como valorizar o professor neste panorama, em algumas regiões, com baixos salários e perspectivas nada animadoras?

Dilma - A valorização do professor é a base de tudo. Quando o presidente Lula assumiu o governo, o professor não tinha um piso salarial. Nós criamos um piso nacional para o magistério, por lei. Hoje esse piso é de R$ 1.040,00. Ainda não estamos no ideal, mas vamos avançar. Porque não se faz ensino de qualidade sem professor bem pago, valorizado e respeitado. O professor também precisa estar sempre estudando, e assim as universidades federais são muito importantes para que a gente assegure a aprendizagem continuada pelos professores.

A senhora pretende prosseguir com o Programa Universidade para Todos em seu governo?

Dilma - Sim. É um dos grandes programas do governo do presidente Lula e um exemplo bem sucedido de parceria com o setor privado. Reconhecido pela sociedade. O Prouni distribuiu 600 mil bolsas de estudo para jovens pobres em faculdades particulares. Eram vagas que não estavam ocupadas. Com o Prouni, as faculdades ocuparam suas vagas vazias com alunos que, de outra maneira, sem as bolsas, nunca conseguiriam frequentar uma universidade. E puderam estudar em boas faculdades. Mas a melhor notícia de todas é que estes 600 mil jovens brasileiros que ganharam bolsa do Prouni ficaram entre os melhores alunos das universidades. Uma pesquisa mostrou que eles estão acima da média. Eu fico muito orgulhosa de dizer isso. São pessoas humildes e trabalhadoras, que após anos de sacrifício, puderam ver os filhos ingressando em uma universidade. Pais felizes com o bom desempenho dos filhos no Prouni. Gente que percebe a importância da educação em suas vidas.

Como a escola particular pode auxiliar em ações para a melhoria da educação nacional?

Dilma - Tenho a certeza de que toda a sociedade dará a sua contribuição para melhorar a educação nacional. É um setor fundamental do País. E acredito que a escola particular estará incluída nessa luta. Ela cumpre um papel importante na sociedade. Terá que ser um esforço de todos. Desejamos nos associar aos que anseiam por uma educação melhor para o Brasil.

O ensino profissionalizante será incentivado?

Dilma: Sim. Nós voltamos a construir escolas técnicas no Brasil. Em menos de oito anos, já construímos 136 novas escolas e vamos chegar ao final deste ano com 214. Para se ter uma ideia, da primeira escola técnica criada no Brasil, no início do século passado (1909), pelo então presidente Nilo Peçanha, até 2003, criaram-se apenas 140 unidades. A formação técnica profissional é uma política pública que vem dando as respostas que imaginávamos. O Brasil está crescendo muito e vai crescer ainda mais, exigindo mais profissionais especializados. O caminho é criar mais escolas técnicas e oferecer mais vagas. O nosso projeto, até 2014, é construir uma escola em cada município com mais de 40 mil habitantes. Assim haverá escolas de ponta a ponta do Brasil. O projeto também prevê 500 mil alunos matriculados, nos próximos quatro anos, na rede de escolas técnicas federais. O que significa dobrar o número de vagas. É perfeitamente possível fazer isso porque o governo do Presidente Lula construiu o alicerce. Um alicerce que vai propiciar a matrícula de um milhão de alunos ainda nessa década, que se inicia em 2011.

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O candidato José Serra, 68 anos, nasceu na Mooca, tradicional bairro de São Paulo. Em 1962, ingressou na política, como presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), cargo que ocupou até 1963. Depois, nos dois anos seguintes, foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Perseguido pelo regime militar, em 1964, seguiu para o exílio. No exterior, Serra enfrentou dificuldades e não conseguiu concluir seus estudos de engenharia. Decidiu cursar Economia. Fez seu mestrado nessa disciplina pela Universidade do Chile, da qual se tornou professor. Também foi funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU).

Após o golpe do general Augusto Pinochet, José Serra foi obrigado a exilar-se novamente e foi para os Estados Unidos, onde fez outro mestrado e o doutorado em Ciências Econômicas pela Universidade de Cornell. Ele trabalhou, por dois anos, como professor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton.

No final dos anos 70, amparado pela Lei da Anistia, José Serra retornou ao Brasil. Atuou como professor da Unicamp e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), entre outras atividades. Foi um dos fundadores do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Atuou como secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo.

Em 1986 foi eleito deputado federal por São Paulo, sendo um dos responsáveis pela confecção da Constituição de 1988. Reelegeu-se em 1990. Quatro anos mais tarde, foi eleito senador por São Paulo. Ocupou o Ministério do Planejamento e Orçamento do governo federal, na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso até o meio de 1996. A partir de 1998 assumiu o Ministério da Saúde.

Serra liderou uma maciça campanha de combate à Aids, fato que levou a um reconhecimento internacional. Essa experiência foi adotada em vários países. Ele regulamentou a lei de patentes. Em sua gestão à frente da pasta da Saúde, Serra conseguiu aprovar uma resolução da Organização Mundial do Comércio que permite aos países quebrarem patentes em caso de interesse da saúde pública.

José Serra foi eleito prefeito de São Paulo e iniciou seu mandato em 2004. Dois anos depois ele deixou o cargo para concorrer ao governo do Estado de São Paulo. Elegeu-se ainda no primeiro turno. Deixou o cargo para se dedicar a campanha pela Presidência do Brasil.


Entrevista com o candidato José Serra

A educação será uma prioridade em seu governo?

José Serra - Sim. E não poderia ser diferente. É pela educação que ocorre a mobilidade social. As chances são multiplicadas. Precisamos avançar muito nesta área, no Brasil, e corrigir equívocos. Em São Paulo, por exemplo, foram desenvolvidas muitas ações de grande impacto. Em quatro anos, a folha de pagamento da educação passou de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,4 bilhões. É notório que este setor exige investimento maciço para funcionar. Não adianta criar programas e não investir pesado na formação dos professores. A estrutura também não pode ser esquecida. Foram construídas 110 novas escolas, em São Paulo, e abertas 146 mil vagas. Também realizamos concursos públicos voltados para a promoção de professores, o que permite um aumento de 25% nos salários. Com isso, beneficiamos os profissionais através do mérito, da competência. Essa ação possibilita aos professores multiplicar, ao longo da carreira, seu salário inicial em quase quatro vezes. São iniciativas objetivas, como essas, que permitem tornar atraente a carreira de professor e gerar valorização para o magistério. Trabalho sério e inteligente. A gestão exige investimento, descentralização e cobrança de resultados.

Como valorizar o professor neste panorama, em algumas regiões, com baixos salários e perspectivas nada animadoras?

Serra - A qualidade do ensino passa, obrigatoriamente, pela remuneração adequada do professor. No entanto, isso não é tudo. Esse profissional necessita de motivação e facilidade de acesso a livros, revistas, jornais, cinema, teatro e cursos, além de tudo mais o que o mundo da cultura possa lhe oferecer. É fundamental um plano de carreira que permita vislumbrar um crescimento profissional e, principalmente, formação continuada. Devemos fazer um enorme esforço para aumentar o salário dos professores e oferecer acesso aos bens culturais disponíveis. São necessárias ações conjuntas. É fundamental pensar grande e corretamente a educação nacional.

O senhor pretende prosseguir com o Programa Universidade para Todos em seu governo?

Serra - Vamos ampliar o Programa Universidade para Todos. Criaremos o Prouni do ensino técnico, com a concessão de bolsas de estudo em escolas técnicas particulares a alunos de regiões que não possuem a opção do ensino técnico público. Daremos bolsas para que um aluno, em determinada região, possa ir para a escola particular do ensino técnico com bolsa do governo. Vamos levar isso para a base da sociedade. Ninguém destrói coisas feitas que possam ser melhoradas. O governo deve pensar no interesse da população acima de questões políticas. As correções a serem feitas serão realizadas com muito esmero e atenção.

Como a escola particular pode auxiliar em ações para a melhoria da educação nacional?

Serra – A escola particular presta um serviço muito importante ao País. Ela possui um nível de ensino reconhecido pela sociedade. Acredito que poderemos firmar muitas parcerias para melhorar a educação brasileira. Conto com a escola particular para desenvolver vários projetos.

O ensino profissionalizante será incentivado?

Serra - A ampliação de vagas no ensino técnico será uma prioridade. Vamos conceder bolsas de ensino técnico à jovens de famílias beneficiárias do programa Bolsa Família. E estabeleceremos uma cooperação com estados e municípios. Hoje, no Brasil, existe oferta de trabalho e esses postos não são preenchidos, pois as pessoas não possuem a qualificação necessária. É vital investir no ensino profissionalizante para que os estudantes, desempregados ou profissionais que precisem de requalificação profissional rápida possam ser atendidos. Em São Paulo foi adotado um programa de requalificação que beneficiou 60 mil desempregados. Os cursos são rápidos, de quatro ou cinco meses. Se a pessoa não tiver seguro-desemprego ganha uma bolsa para fazer o curso. É preciso ampliar esse projeto para todo o Brasil. Meu objetivo é criar um milhão de vagas somente no ensino profissionalizante.

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Pedagoga e ambientalista, a política Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, 52 anos, é natural do Rio Branco, no Acre. Senadora pelo seu estado, de onde está afastada devido à disputa eleitoral pela Presidência da República, travou uma intensa luta contra uma hepatite, confundida com malária, quando tinha apenas 15 anos.

Já adolescente e ainda analfabeta, Marina Silva foi matriculada no Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), projeto estabelecido durante o regime militar. A candidata teve o apoio e a proteção do bispo católico do Acre, Dom Moacyr Grechi, que a acolheu na casa das irmãs Servas de Maria.

Após muita dedicação ao estudo, aos 21 anos, Marina Silva formou-se em História pela Universidade Federal do Acre. Nessa época, ingressou no Partido Revolucionário Comunista (PRC), que tinha sede no Partido dos Trabalhadores (PT).

Ela atuou como professora na rede de ensino médio e ingressou no movimento sindical. Foi amiga e companheira de luta do líder ambientalista Chico Mendes, assassinado em 1988, em Xapuri, no Acre, tendo sua trajetória reverenciada internacionalmente. Com ele, Marina fundou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Acre, em 1985, da qual foi vice-coordenadora até 1986. Nesse ano, ela filiou-se ao PT e candidatou-se a deputada federal. Não obteve sucesso na primeira empreitada. Porém, dois anos depois, Marina Silva foi eleita a vereadora mais votada de Rio Branco. Ela se notabilizou pela luta contra os privilégios dos vereadores e a preocupação com as causas sociais e ambientais.
Marina ocupou o cargo por dois anos. Em 1990 foi candidata a deputada estadual e alcançou novamente a maior votação. No entanto, em 1991, ela voltou a travar luta acirrada contra uma doença. Descobriu que tinha sido contaminada por metais pesados quando ainda vivia no seringal. Seguiu em tratamento.
Três anos depois foi eleita senadora pelo Acre. Novamente com a maior votação. Superou vários adversários tradicionais. Marina foi secretária Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT, entre 1995 e 1997. Em 2002, com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidada a ocupar o Ministério do Meio Ambiente. Nomeada em 2003, ocupou o cargo até 2008, de onde saiu após disputas internas no governo, retornando ao Senado Federal. Um ano depois, Marina trocava o PT pelo Partido Verde (PV), legenda pela qual disputará a Presidência da República.

Entrevista com a candidata Marina Silva

A educação será uma prioridade em seu governo?

Marina Silva - É preciso assegurar investimentos que aprimorem o ensino no país e a garantam a ampliação dos valores, per capita anual, investidos por aluno, adotando assim as referências sugeridas pelos estudos sobre o Custo Aluno-Qualidade. A educação precisa ser entendida em seus vários níveis, da educação infantil à universidade. Não vamos apostar no ensino básico em detrimento do ensino médio, ou preterir o ensino universitário em função do ensino fundamental. Temos que fazer os mesmos esforços para que se tenha uma educação de qualidade. O Brasil precisa apostar nos centros de excelência. Estamos atrasados 30 anos em relação ao Chile. Precisamos superar esse atraso investindo fortemente em educação. Temos gasto R$ 1.114, por ano, por aluno. É muito pouco. Seria necessário, pelo menos, R$2.180. Hoje, nós utilizamos cerca de 5% do PIB com educação. Para um ensino de qualidade nós precisaríamos, com urgência, aumentar esse valor. Num primeiro momento, seria fundamental passar para 7%, sob o risco de um apagão intelectual . Corremos o risco de ficar sem mão-de-obra qualificada para os desafios que se apresentam num mundo baseado no conhecimento. Também existe um déficit muito grande em relação às creches, principalmente para as mães que atuam como chefes de família. No entanto, tudo tem um início. E o professor é a figura central na recuperação do ensino nacional. Ele precisa ser valorizado. Esta ação é prioritária para estabelecer um processo de recuperação real da educação brasileira.

Como valorizar o professor neste panorama, em algumas regiões, com baixos salários e perspectivas nada animadoras?

Marina - Esse processo não acontece de uma hora para a outra. Vamos ter que promover a valorização dos professores em termos de sua formação, que necessita ser continuada, e em termos da sua remuneração. O professor precisa se sentir valorizado pela sociedade. Não é a valorização piegas dizendo que o professor é importante sem lhe dar a formação necessária, sem lhe oferecer os meios para que possa viver com dignidade. É fundamental buscar parceria com a iniciativa privada, pois 70% desses profissionais são formados pelas universidades privadas. O Estado deve melhorar o nível da formação dos professores para termos um processo virtuoso. O Brasil necessita seguir os exemplos da Coréia do Sul e da Índia. Buscar os melhores especialistas do mundo para que unidos com os especialistas brasileiros possam ampliar o nível de conhecimento, tecnologia e inovação.

A senhora pretende prosseguir com o Programa Universidade para Todos em seu governo?

Marina - Na verdade, é fundamental garantir um acesso mais democrático ao ensino superior, em especial à sua modalidade pública e gratuita. É essencial, não apenas para garantir que direitos sociais sejam viabilizados, mas para que o país possa avançar na construção de conhecimento e de novas estratégias para lidar com os desafios do mundo contemporâneo, entre eles o mundo do trabalho. São várias maneiras possíveis. Vamos verificar os programas atuais e perceber o que pode ser aproveitado.

Como a escola particular pode auxiliar em ações para a melhoria da educação nacional?

Marina – A educação será prioridade em meu governo. Todos que estiverem dispostos a abraçar a causa da educação serão muito importantes e bem recebidos. Conto com a escola particular na luta por um ensino melhor e que alcance o País todo. Precisaremos de todo o apoio possível nessa tarefa fundamental. A experiência da escola particular será importante.

O ensino profissionalizante será incentivado?

Marina - Definir parâmetros contemporâneos para o ensino médio que promovam o crescimento do número de matrículas e evite a evasão de alunos. É evidente que o governo precisa investir no ensino médio profissionalizante. É uma maneira de oferecer formação intelectual e cultural e uma profissão, ao mesmo tempo. Uma ação fundamental num País como o Brasil com uma enorme falta de mão-de-obra qualificada. Necessitamos investir pesado neste aspecto para dar conta das demandas que surgem e das oportunidades que teremos nos próximos anos.